Estava em uma tarde chuvosa, voltando do médico que está acompanhando o meu problema da fratura de clavícula, e talvez o clima, ou mesmo a fragilidade em que me encontrava por medo de submeter  a um procedimento cirúrgico decorrente do acidente em que sofri, e em conversa com a minha nora, a fisioterapeuta Laís Miranda França, comentei que sentia uma saudade imensa do tempo de criança, do tempo em que só tinha o direito de adquirir uma roupa, um sapato, enfim.

Como meus pais tinham 08 filhos, naquela época era muito difícil a criação, então a única data em que eu ganhava uma roupa e um sapato novos, era no período de Natal. O sapato tinha que ser um número a mais, pois serveria para o ano todo.

E diferentemente dos tempos passados, nossos filhos tem de tudo exageradamente, roupas e mais roupas, sapatos e mais sapatos. Vivem de acordo com a moda. Vida boa!

Então, logo fui interrogada por ela: você sente saudade ou recordação? E isso ficou em minha mente: Saudade ou recordação?

Segundo a minha nora, não se pode sentir saudade daquilo que se comparado ao que hoje vivem nossos filhos, era tido como vida difícil.

E ela indagou ainda, que tal sentimento pode ser recordações de uma época que mesmo com dificuldades, existia mais amor, mais respeito, mais paz, onde as famílias eram verdadeiramente famílias e que o único par de sapatos adquirido não era propriedade única e exclusiva de um membro da casa, mas, se assim houvesse a necessidade, de todos os outros irmãos.

Então, que seja recordação, mas sabendo que saudade só é sentida daquilo que se tornou história, que foi importante em nossa vida.

Que tenhamos nesta leitura a saudade sincera do que realmente devemos resgatar: os valores humanos.