Saiba o que é linfoma, a doença que atingiu a ministra Dilma Rousseff

  • annaclaudia
  • 03/05/2009 21:34
  • Saúde
O câncer que acometeu a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, é cada dia mais comum nos tempos de hoje. Segundo dados do Ministério da Saúde, o número de pessoas que tiveram algum tipo de linfoma - existem mais de 30 deles - nos últimos 25 anos praticamente dobrou. No mundo, estima-se que 1,5 milhão de pessoas sofram da doença. No entanto, as chances de cura são grandes, principalmente quando o linfoma é detectado em uma fase inicial, como no caso da ministra.

De acordo com o médico hematologista Jacques Tabacof, diretor científico da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), o linfoma surge quando os linfócitos - principal elemento do linfonodo, uma célula do sangue que age no combate a infecções - aumenta de forma desordenada e sem causa aparente, se acumulando em regiões como axilas, pescoço ou virilha.

"Um linfócito gera dois, que geram quatro, oito, dezesseis e assim sucessivamente até formar uma geração de clones, ou seja, de linfócitos anormais que não mais respeitam as sinalizações do organismo para pararem de reproduzir-se, o que pode evoluir para o acometimento patológico de outros órgãos", explica.

A chefe do Serviço de Hematologia do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Jane Dobbin, diz que na maioria das ocorrências, não é possível definir o que causou o linfoma. Mas já são conhecidos alguns fatores de risco para o surgimento da doença. Pessoas com o sistema imunológico comprometido ou expostas a altas doses de radiação estão mais propensas a desenvolverem a doença.

Há também fatores externos que contribuíram para o aumento no número de casos de linfomas pelo mundo. Pesticidas, solventes e fertilizantes, herbicidas e inseticidas têm sido relacionados ao surgimento de linfomas em estudos com agricultores e outros grupos de pessoas que se expõem a altos níveis desses agentes químicos. A contaminação da água por nitrato, substância encontrada em fertilizantes, é um exemplo de exposição que parece aumentar o risco de ocorrência.

Médicos devem ficar atentos
Segundo Tabacof, a maior dificuldade no combate ao linfoma é a dificuldade de detectar a doença. "Não existe um exame preventivo e, em alguns casos, as pessoas não percebem alteração alguma. É importante que os médicos estejam atentos durante os exames clínicos de rotina". Ele explica que, em alguns casos, há certa alteração visível, como o surgimento de gânglios e ínguas. Mas, normalmente, as pessoas não sentem dores ou febre no local.

São necessários vários exames para determinar o tipo exato de linfoma e esclarecer outras características, reunindo informações úteis para a escolha do tratamento mais eficaz. Os métodos utilizados são a biópsia - retirada e análise de uma pequena porção de tecido, em geral linfonodos -, exames de imagem e estudos celulares, que incluem, entre outros, a análise de cromossomos.

Os tratamentos utilizados no tratamento do linfoma são, geralmente, quimioterapia e radioterapia. O paciente poderá ser submetido a um ou outro, ou até mesmo à combinação dos dois tratamentos. O plano de tratamento dependerá de vários fatores, como a localização dos gânglios aumentados, o estágio da doença e o estado geral de saúde do paciente.

Felizmente, segundo o diretor científico da Abrale, em 90% dos casos, mesmo nos mais avançados, chega-se à cura. "O importante é ficar sempre atento. Detectando a doença em seu primeiro estágio, o tratamento é simples, mais eficaz e menos traumático".