Crise e aquecimento mudam a cara dos lançamentos de Milão

  • annaclaudia
  • 03/05/2009 21:15
  • Negócios
Definitivamente, estamos em outros tempos. Enquanto em edições passadas do Salão Internacional do Móvel de Milão, assistia-se a lançamentos de grandes sofás e armários infindáveis, hoje a crise financeira mundial fez com que os designers repensassem suas criações. O resultado é que o mobiliário está ficando menor para atender os pequenos imóveis.

A questão da preservação da natureza, em foco especialmente por conta do aquecimento global, também entrou na pauta dos criadores, a exemplo da prevalência do azul e do verde, além das estampas bucólicas. A arquiteta Maximira Durigan, de Santo André, no ABC Paulista, e o arquiteto Antonio Ferreira Junior, de São Paulo, que acompanharam os lançamentos da maior feira do setor no mundo, contam mais sobre as tendências vistas na 48ª edição do evento diretamente da cidade italiana.

Anticrise

Móveis para espaços menores são algumas das apostas dos fabricantes para driblar a crise. Acostumados a enfrentar altos e baixos no Brasil, os irmãos Fernando e Humberto Campana criaram, pela primeira vez, móveis para pequenos espaços, como sofá Cipria, para a Edra, de três lugares com almofadas forradas com pele sintética. "Parece um patchwork de peles recicladas, e sintetiza a questão do material reciclado tão apreciado neste momento", diz Maximira.

Outra tendência vista por Antonio Ferreira Junior é a estante Árvore, da MDF, nome que se refere à forma de sua construção: é customizada pelo próprio cliente, que acessa a internet e monta a sua peça. Com as sete opções de módulos disponíveis, ele escolhe a quantidade que deseja e monta o móvel do tamanho e na forma que atender a suas necessidades.

Cores

Diferentemente da edição passada, em que o preto e branco dominaram, as cores invadiram Milão. O verde e o azul foram as cores mais vistas, segundo os profissionais, e seria a forma de mostrar ao mundo que a natureza precisa de atenção. Dos tons cítricos, passando pelos suaves, aos escuros.

Junior conta que o verde apareceu de forma inesperada em composições com estampas floridas e românticas, com mostrou a marca Cassina. E também em tapetes verdes combinados com mesinhas vermelhas ou escuras. Já o azul bem claro pode ser misturado ao aconchego da madeira, como mostrou a Porro. A marca apostou ainda nos tecidos naturais tingidos em tons leves de azul e nuances de cinza e gelo.

As empresas conhecidas pela sobriedade de tons, como a Minotti, que apresenta móveis em tons de cinza, preto e bege, "quebraram literalmente o gelo" com toques de berinjela e verde-cítrico.

Iluminação

Os profissionais destacaram a 25ª Euroluce, evento paralelo sobre as novidades em iluminação. Maximira percebeu a grande oferta de propostas para a área externa. "Temos dificuldade em encontrar material de iluminação com design para essa parte da casa. Foi uma grande surpresa", relata.

De olho no aquecimento global, a grande sacada das empresas é a iluminação com LEDs (sigla em inglês para Diodo Emissor de Luz), que usa tecnologia que proporciona grandes vantagens: menor consumo de energia, maior durabilidade e variação de cores.

Jeans

Segundo Maximira, o jeans é o tecido do momento para revestir estofados. Um termômetro para medir essa ascensão do denim na decoração é a entrada da descolada marca de moda Diesel. A grife italiana conhecida no mundo pela qualidade de suas calças, que viraram objeto de desejo entre os jovens que se vestem para ser vistos, vai fazer história dentro das casas.

Padronagens

O trabalho manual seria outra forma dar ânimo ante a crise e multiplicar os números com o frescor da novidade. Junior reparou que a Moroso aplicou bordados de forma inusitada nos braços dos sofás. A grife Kenzo trouxe a releitura de móveis com design de décadas passadas com o glamour de tecidos bordados. Também foram vistas imagens bucólicas e da natureza, a exemplo do trabalho da Meritalia, em um nítido apelo para a preservação da natureza.