Edmilson Sá Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true

“Memória”... Palavra que nos remete a sentimentos, vínculos, ligação, saudosismo, afetividade, pertencimento... Quando fiquei sabendo e tenho acompanhado os desdobramentos da possível remoção do Museu Xucurus – primeiro, para uma casa alugada (não mais num lugar fixo), depois de quase 50 anos, na, há décadas, dessacralizada Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Segundo, a remoção/apagamento, do nome Museu Xucurus, para algo como: Museu da Cidade.

E é exatamente aí que gostaria de tecer meus comentários. Na história brasileira, desde a chegada dos primeiros europeus; havia aqui, por volta do ano de 1500, uma estimativa que ia de seis (6) à dez (10) milhões de indígenas. Com a colonização, escravização, doenças, catequização, bandeirantismo, expropriações, entre tantas outras formas de violência contra os povos indígenas... Hoje, não chegam a um (1) milhão – segundo o Senso do IBGE de 2010. Em muitas cidades, e em Palmeira dos Índios não foi diferente, os povos indígenas passaram e ainda passam por muitos dos problemas que, há séculos, dizimou suas populações. Seja pela expulsão de suas terras, sob ameaças e violência, seja pelas transformações legislativas, pela grilagem, suas aldeias sempre foram e estão, em alguns casos, em luta constante... Tanto para se manterem e conservarem suas tradições – hoje, resguardas pela Constituição Federal de 1988; quanto para garantir a posse de suas terras e/ou demarcações. Há um embate, ao que parece, estar longe do fim.

Nessa história de conflitos, se construiu em Palmeira dos Índios, um PROCESSO cruel, que tem por finalidade, o ESQUECIMENTO, a ANULAÇÃO do OUTRO, neste caso, do ÍNDIO. Fato que pode ser comprovado, quando, há alguns anos, houve "proposta" de mudar o nome da cidade de Palmeira dos Índios – para excluir o nome ÍNDIOS, da cidade. E entendemos o porque dessa "proposta" absurda, pois, UMA VEZ QUE SE APAGA A MEMÓRIA DOS ÍNDIOS - não só da palavra, em nossa cidade -, SUA HISTÓRIA, SEUS COSTUMES E CULTURA, A SUA EXISTÊNCIA, COM O TEMPO, TAMBÉM SERÁ APAGADA. E alguém sempre lucra com isso.

Por isso, a resistência, neste sábado, em frente ao Museu XUCURUS, onde representantes de várias aldeias da cidade, uniram-se – na medida do possível – já que, a despeito de serem povos indígenas, não há garantia de que todos pensem UNÂNIME, e nem devem. Vivemos numa democracia em que o contraditório/diferente é uma realidade. Tal manifestação, aconteceu para dar um recado à Administração Municipal e às Oligarquias, bem como, a parcelas da elite palmeirense, interessadas na mudança do Museu e o esquecimento de seu nome. E o recado é: HÁ MAIS DO QUE UM PRÉDIO OU UM NOME A SER PRESERVADO. HÁ UMA “MEMÓRIA” UM SENTIMENTO QUE, NÃO SÓ OS POVOS INDÍGENAS SE IDENTIFICAM... MAS TAL IDEIA, SE COADUNA COM AS DA SOCIEDADE CIVIL ORGANIZADA, DOS VIZINHOS DO MUSEU, DE MORADORES, PROFESSORES, ENTIDADES, FUNCIONÁRIOS... PORQUE O MUSEU XUCURUS É PARTE INTEGRANTE DA MEMÓRIA E HISTÓRIA DE PALMEIRA DOS ÍNDIOS. EM QUALQUER LIVRO OU ARTIGO, REPORTAGEM QUE FALA OU DIVULGA OS ASPECTOS HISTÓRICOS/TURÍSTICOS/MEMORIAIS DE NOSSA REGIÃO, É INEVITÁVEL NÃO SÓ LEMBRAR, MAS TAMBÉM, O SENTIMENTO DE "PERTENCIMENTO" DO MUSEU XUCURUS FALA TÃO ALTO A PONTO DE NOS ORGULHARMOS DE TÊ-LO.

Abaixo, vídeos de representantes indígenas explicando os porquês de serem contra a remoção do Museu que leva o nome de seu povo, XUCURUS.