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Mensagens reveladas gerão pressão inédita sobre Deltan

"Vejo um movimento de reação [...] em que se busca tirar a credibilidade de agentes públicos que atuam na operação [Lava Jato], para promover os retrocessos que possam permitir que poderosos que praticaram crimes graves alcancem impunidade", afirmou o procurador da República Deltan Dallagnol nesta sexta-feira em seu perfil do Twitter.

Se defender atacando é uma estratégia que ele sempre usou enquanto um dos líderes públicos da Operação Lava Jato.

Porém, desde junho, quando conversas privadas entre integrantes da força-tarefa, e principalmente entre o procurador e o então juiz Sergio Moro, o paranaense de Pato Branco tem sido alvo de uma pressão inédita até então contra seu trabalho.

A temperatura se elevou a ponto de ministros do Supremo Tribunal Federal estudarem medidas contra Dallagnol.

Nos últimos cinco anos, o nome do procurador apareceu como um dos protagonistas de uma nova geração de agentes públicos dedicados ao combate à corrupção. A fama garantiu reconhecimento e visibilidade para o coordenador da Lava Jato.

A série de reportagens capitaneada pelo site The Intercept Brasil despertou dúvidas sobre a lisura na atuação de Dallagnol. O UOL passou a integrar recentemente o grupo de parceiros na análise das mensagens e divulgação de seu conteúdo.

O procurador passou a ser alvo de críticas de quem vê nas mensagens indícios de que ele extrapolou suasatribuições, contou com ajuda indevida de Moro nos processos da operação e tirou proveito pessoal de sua exposição como porta-voz da Lava Jato.

Procurado pela reportagem, Dallagnol não quis fazer comentários.

Aos 39 anos de idade, Deltan Dallagnol é casado e pai de três filhos -- duas meninas e um menino. Seu pai atuou como procurador no Ministério Público do Paraná.

Em 2002, logo depois de se formar em direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), prestou concurso para se tornar procurador da República. Como a legislação exigia que o candidato ao posto tivesse concluído há pelo menos dois anos o curso de direito, Dallagnol teve de assumir a função amparado por uma decisão judicial, que considerou a exigência inconstitucional.

Assim como Moro, Dallagnol se especializou no combate à lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro, e atuou no caso Banestado - operação que investigou evasão de divisas no Banco do Estado do Paraná e é considerada um embrião da Lava Jato. Mais tarde, fez um curso em Harvard, nos Estados Unidos, revalidado como mestrado pela UFPR.