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O envolvimento direto do ministro da Justiça e Segurança, Sergio Moro, no caso dos ataques hackers a autoridades tem causado desconforto entre membros do STF (Supremo Tribunal Federal). Sob condição de anonimato, um dos magistrados criticou o fato de Moro telefonar para pessoas listadas como alvo dos hackers e afirmar que destruirá as mensagens.

E mais: o ministro do STF afirmou ao UOL que Moro não deveria sequer ter informações de um processo que, até agora, está mantido sob sigilo. "Isso que ele está fazendo, além de desmoralizar a Polícia Federal e o Judiciário, ainda pode prejudicar a condução do processo, pois estas atitudes podem ser questionadas no Supremo", disse.

O magistrado diz que Moro confunde suas funções com as de um "delegado da Polícia Federal, que conduz a investigação, e do juiz, que deveria tomar este tipo de decisão". O ministro do STF ainda afirmou que uma investigação que envolve autoridades com foro privilegiado deveria ser tratada no STJ (Superior Tribunal de Justiça), ou no STF e que Moro deveria se retirar do caso, por também ser parte envolvida. À colunista Mônica Bergamo, outro ministro do STF, Marco Aurélio Mello, também afirmou que só o Judiciário pode decidir se haverá destruição das mensagens obtidas. Procurada pela reportagem, a assessoria de Moro disse que não comentaria as declarações.

Durante a madrugada desta sexta-feira (26), Moro usou o Twitter para afirmar que "as centenas de vítimas do hackeamento ilegal têm o direito de saber que foram vítimas e só estão sendo comunicadas. Não tenho lista, só estou comunicando alguns".