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O desafio dos 10 anos está movimentando a internet nesta semana. Pessoas anônimas e famosos postaram fotos comparando a aparência atual com a de 10 anos atrás. O grande alcance da brincadeira levantou dúvidas sobre a privacidade na rede e a coleta de dados sem autorização.

A jornalista da Wired, Kate O’Neill, publicou na terça-feira (14) um artigo falando sobre a suspeita de que o desafio poderia estar sendo usado para contribuir no aperfeiçoamento de algoritmos de reconhecimento facial.

Segundo o professor da FGV Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação, não é possível afirmar que as fotos estão sendo usadas para essa finalidade, mas ressalta que é viável e esperado que esses dados sejam coletados.

O aprimoramento da inteligência artificial depende de um volume grande de amostragens para identificar padrões. Por isso, as fotos postadas pelos usuários podem ser úteis nessa área.

"O desafio mobilizou milhões de pessoas que fizeram posts voluntários com uma grande precisão temporal. Essa amostragem é muito valiosas para empresas de tecnologia", afirma o professor da FGV.

O reconhecimento facial avançou bastante e uma pessoa pode ser identificada mesmo com o uso de óculos ou barba. Segundo Igreja, um dos obstáculos dessa área é prever a aparência de alguém quando envelhece.

Uma das aplicações do reconhecimento fácil é ajudar na identificação de pessoas desaparecidas, principalmente crianças. Por outro lado, também pode ser usado para identificar hábitos para direcionar publicidades.

O que fazer?

Quem postou uma montagem com uma foto de 2009 e outra de 2019 não precisa ficar preocupado. Segundo o professor, a exposição diária nas redes sociais entrega dados todos os dias para empresas e a publicação de uma única foto não teria uma influência tão grande.

"Quando surgem questionamentos sobre a coleta das informações disponibilizadas nos perfis, as pessoas devem refletir sobre a maneira como estão utilizando a internet. Participar da brincadeiras e testes que viralizaram pode oferecer riscos", alerta Igreja.

Todas as redes sociais ficaram lotadas de fotos de pessoas famosas e anônimas comparando suas aparências há 10 anos com o visual atual. A grande repercussão do desafio #10yearchallenge também está sendo usada para dar visibilidade para causas como a defesa do meio ambiente.

Muitas vezes os problemas ambientais são esquecidos por acontecerem muito distantes da vida das pessoas. Pensando nisso, um post denuncia a degradação das florestas tropicais. Há 10 anos a vegetação densa e verde era predominante na imagem. Hoje, o solo exposto é um retrato da ação do homem.

Até mesmo fotos de satélite foram usadas para mostrar como a floresta amazônica mudou nos últimos 10 anos. A vegetação foi desmatada e grandes clareiras surgiram onde existiam apenas árvores.

O aquecimento global e as consequências do fenômeno para a natureza é outro assunto que tenta ser impulsionado pelo desafio dos 10 anos. Na imagem aparece um urso polar saudável em 2009 e um animal magro e debilitado em 2019. A espécie pode ser gravemente afetada pelo aumento da temperatura na Terra.

Os produtos de plástico também são vilões do meio ambiente. Um post lembra que o material leva muitos anos para se decompor na natureza e que o volume desse tipo de lixo só aumentou nos últimos 10 anos.

O antes e depois da Síria é impressionante considerando um intervalo de tempo de uma década. Na montagem é possível perceber como a guerra destruiu o país.

Iraque, Iêmen e Líbia também passaram por conflitos armados nos últimos anos e a consequência são cidades desertas e em escombros.