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O trajeto que levou a vereadora do PSOL do Rio de Janeiro, Marielle Franco, para a morte tinha aproximadamente 3 km. No caminho, porém, segundo um levantamento do R7, havia um Batalhão de Polícia do Choque, a 1,2 km de distância do local que Marielle estava, o Hospital Central da Polícia Militar, pelo menos cinco câmeras de monitoramento e dois radares.

As câmeras de monitoramento estão posicionadas nas ruas Senado, Carlos Sampaio, Frei Caneca, Estácio e avenida Salvador Sá. Os dois radares estão localizados na avenida Salvador Sá. A ativista deixou o evento “Jovens Negras Movendo Estruturas” na Casa das Pretas, um espaço de convivência localizado na Lapa, no centro do Rio de Janeiro, na rua dos Inválidos, 122, por volta das 21h30.

No meio do caminho, o veículo em que Marielle estava, um Chevrolet Ágile branco, com os vidros escurecidos, foi emparelhado por outro carro, um Cobalt Prata, na rua Joaquim Palhares, no Estácio, na esquina da Rua João Paulo I.

Nesse momento, a vereadora e o motorista Anderson Pedro Gomes foram alvejados pelos disparos a uma distância de aproximadamente dois metros. A perícia constatou que os tiros entraram pela parte traseira direita do veículo e três disparos atingiram o motorista, que também morreu no local. A principal linha de investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro aponta para um crime de execução. 

De acordo com o especialista em Segurança Pública, Guaracy Minguardi, a morte de Marielle difere de homicídios comuns. “A maior parte dos homicídios ocorre por motivos pessoais. Uma execução difere muito de crimes comuns”, afirma o especialista em investigação policial. “A execução busca evitar que uma pessoa realize alguma ação.”

Segundo ele, as características da morte de Marielle também se diferenciam das ações de grupos de extermínio, que costumam ir até o local em que as vítimas vivem para assassiná-las. “Foi uma ação premeditada e a sangue frio, tem todas as características de uma execução.”

Para o especialista, a morte pode ter relação com a denúncia publicada por Marielle em suas redes sociais sobre a violência policial na favela de Acari. “O que está acontecendo em Acari é um absurdo! E acontece desde sempre! O 41º batalhão da PM é conhecido como Batalhão da morte. CHEGA de esculachar a população! Chega de matarem nossos jovens.”

Silvia Ramos, socióloga e coordenadora do Observatório da Intervenção do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, afirma que a morte de Marielle foi um assassinato político. “Trata-se de um novo degrau de aprofundamento das dinâmicas de violência no Rio de Janeiro, inaugurando uma nova modalidade de homicídio, o homicídio estritamente político.”

Para a pesquisadora, a morte representa uma ameaça ao trabalho dos ativistas de favelas, às lideranças comunitárias e aos defensores de direitos. “A polícia militar tem que dar respostas imediatas que façam cessar suspeitas sobre a atuação de seus policiais”, afirmou em sua  rede social. “O Rio sob intervenção tem sido o local onde mortes por violência e por agressões por violência policial continuam prevalecendo. É responsabilidade dos interventores deter os crimes de ódio aos defensores de direitos.”