Acusado pela Justiça de ser um dos autores materiais do assassinato do agropecuarista Reyneri Pimentel Canales, Paulo Roberto Xavier de Araújo, o “Paulo Bala”, 25 anos, redigiu uma carta onde questiona o trabalho de investigação feito pela Polícia Civil e a falta de argumentos da acusação para a manutenção de sua prisão. No dia 13 de novembro de 2012, ele se entregou em um Fórum no município de Inajá, em Pernambuco, e atualmente está detido na Casa de Custódia, na cidade de Arapiraca.

No texto, assinado pelo acusado e autenticado em cartório, ele pede oportunidade para se defender, onde alega que foi ouvido apenas uma vez por carta precatória e não teve como se argumentar. “A justiça não tem nenhuma prova concreta contra mim, mas mesmo assim estão me mantendo preso... E já me jogou para o júri... Isso é um absurdo”, contesta.

Paulo alega ter sofrido pressão psicológica, o que resultou em depressão. Ele chegou a afirmar que se “considera vítima de uma investigação mal executada”.

Ainda de acordo com Paulo, mesmo na condição de acusado, ele chegou a fazer solicitações para serem consignadas nos autos do processo, mas teve o pedido negado pela Justiça. “Pedi a localização do meu celular no dia do fato e a quebra de sigilo, mas a justiça nada me concedeu para que eu possa provar minha inocência”, disse.

O texto chama atenção para o depoimento da namorada de Reyneri Canales, onde revela as características do autor material do crime. “Com riqueza de detalhes, ela disse que era uma pessoa baixa e forte, isso já demonstra que de forma alguma tem haver com as minhas características”, destaca Paulo Bala.

A alcunha de Paulo “Bala” se deu – segundo conta a carta – por conta de o acusado ser piloto de trilha. “Não é por ser pistoleiro como a justiça citou”.

Por fim, Paulo Araújo faz um apelo para que haja um julgamento apenas “dos verdadeiros culpados”. “Sei que a Justiça quer mostrar trabalho para a sociedade, mas peço que me dê a chance de provar a minha inocência.

As investigações do caso Reyneri foram comandadas pelo delegado Manoel Wanderley, então titular da Delegacia Regional de Palmeira dos Índios. A reportagem entrou em contato com o delegado para saber a opinião dele referente às declarações de Paulo Bala, mas seu telefone estava fora da área de serviço ou desligado.