Após diversas tentativas objetivando resolver problemas relacionados a direitos trabalhistas e condições de trabalho dos funcionários do Hospital Regional Santa Rita, de Palmeira dos Índios, o presidente do Sateal, Mário Jorge Filho, esteve à diretoria do Hospital a fim de encontrar uma solução para o empasse, que envolve o não pagamento de férias vencidas, salários em atraso, a não realização de exames periódicos e assédio moral.
Diante da situação de indignação e revolta dos trabalhadores pelo atraso nos salários, o Sindicato pediu a execução do Termo de Ajustamento de Conduta firmado na Procuradoria Regional do Trabalho, além de ajuizar duas ações, uma por danos morais pelo atraso de salário e outra ação cobrando multa pelo não cumprimento do pagamento das férias em dia.
A direção do hospital reclamou das dificuldades financeiras que a instituição vem passando devido à ausência de incentivos do governo. Os representantes do hospital foram enfáticos ao afirmar que não teriam como atender as reivindicações ou cumprimento da convenção coletiva, e pediu um prazo de 30 dias para rediscutir o assunto.
“A direção do hospital não levou em consideração os Termos de Ajustamento de Conduta assinados na Procuradoria Regional do Trabalho. Em um deles, a instituição se compromete a combater o assédio moral contra os trabalhadores. Segundo denúncias encaminhadas ao Sindicato, funcionários do setor de nutrição e higienização foram vítimas de assédio por parte de duas nutricionistas e pela direção administrativa, esta última de imediato procurou resolver a situação temendo denúncia”, frisou Mário Jorge.
Descumprimento da NR32
Durante a reunião, o presidente do Sateal cobrou da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) e do técnico em segurança no trabalho, a ausência de orientação nos exames periódicos, na detecção e prevenção de doenças ocupacionais e a orientação para o cumprimento da NR32 com relação a fardamento completo e sapatos fechados.
Funcionários realizando atividades irregularmente
“Na coordenação de enfermagem, o sindicato solicitou mais uma vez que auxiliares/técnicos executem atividades que não são inerentes a sua função, como pré-consultas e serviço de hemoterapia. A coordenadora insistiu que não havia problema que o profissional realize aferição de sinais vitais em pacientes. O problema é que profissionais de nível médio estão fazendo triagem”, reforçou.
Por não haver consenso em resolver o problema, o Sindicato vai encaminhar o ofício denunciando o caso ao Conselho Regional de Enfermagem e ao Ministério Público do Trabalho, pedindo a responsabilização da responsável técnica.
Médicos desperdiçando medicamentos
Trabalhadores denunciaram que médicos jogam no lixo amostras de medicamentos que poderiam ser utilizados nos pacientes. Funcionários disseram que pacientes particulares são encaminhados a UTI pelo SUS.
A administração da unidade informou que pretende regularizar a situação, principalmente o cumprimento dos salários em dia, quando houver a implantação da UTI tipo II, que ainda precisa ser avaliada e habilitada pelo Ministério da Saúde.
Segundo a administradora, ao implantar a UTI do hospital, a direção se compromete a não mais atrasar os salários, devido à entrada de mais recursos. “O que significa dizer que não há previsão e nem os trabalhadores vão ficar com seus vencimentos atrasados esperando que a administração encontre alternativas para regularizar a situação”, atacou o presidente.
Hemodiálise esquecida
Durante a visita ao Hospital Regional Santa Rita, Mário Jorge Filho esteve no setor de Hemodiálise e constatou que os trabalhadores estão com os salários de maio em aberto, bem como as férias vencidas. “Os trabalhadores estão preocupados com as cobranças. Funcionários que moram em outras cidades e pagam transporte, tem uma despesa média de R$300 mensal. Daqui a pouco não haverá mais a possibilidade de crédito para esses profissionais”, reforçou.
O presidente do Sateal completou. “O Sindicato entende as dificuldades que a saúde brasileira atravessa. São poucos recursos e não há prioridade, como estamos vendo neste momento, com uma epidemia que assola Alagoas. Porém, não podemos deixar de tomar as providências cabíveis para garantir os direitos dos associados”, assegurou.





