Mesmo com vários crimes elucidados e mostrando a qualidade nos trabalhos desenvolvidos, os peritos do Instituto de Criminalística (IC) teriam o trabalho colocado em dúvida no caso Reyneri Canales pelo juiz Ferdinando Scremin Neto que ao saber, antes mesmo da entrega do laudo, não se sabe como, que daria inconclusivo, solicitou que outro laudo fosse feito pelos peritos da Força Nacional (FN).

Os trabalhos dos peritos alagoanos sempre foram de muita responsabilidade e isso pode ser comprovado pela elucidação de centenas de casos. Porém, o trabalho dos profissionais depende muito dos elementos que possuem para as análises. No caso do laudo sobre a morte do empresário e pecuarista Reyneri Canales , o setor de balística ficou sem subsídios suficientes para a comparação entre o único projétil enviado com as quatro armas encaminhadas para o confronto.

Como divulgou o Correio de Alagoas no início deste mês, o laudo balístico não podia obter êxito com apenas um projétil enviado ao Instituto, quando a vítima foi executada com mais de 20 tiros e, para o mesmo caso, foram entregues no órgão quatro armas que, a princípio, seriam de homens presos em Coruripe e suspeitos do crime.

Para os peritos criminais, o laudo ficou inconclusivo porque, além de só terem um projétil, este estaria danificado ao ponto de não dar um resultado preciso. Mas, mesmo assim, o magistrado inconformado enviou, conforme apurou o Correio de Alagoas, há quase um mês, um ofício à direção solicitando que o exame balístico fosse refeito, mas dessa vez pela Força Nacional porque no seu entendimento os profissionais alagoanos estariam tendo dificuldades técnicas. Ou seja, o trabalho dos peritos alagoanos teria sido ignorado.

Mesmo com quase 30 dias de solicitação do juiz Scremin Neto, o laudo ainda não foi concluído e entregue pela Força Nacional. Mas, provavelmente, abre-se um novo mal estar entre os peritos locais que sempre tiveram credibilidade e tiveram o trabalho ignorado.

Segundo o delegado Manoel Wanderley, o médico-legista responsável pela necropsia teria informado que todos os outros projéteis disparados contra o pecuarista teriam transfixado. Como a vítima foi atingida por mais de 20 tiros, vários deles nas costas, a expectativa voltava-se para a exumação do cadáver. O que não ocorreu até agora.

Armas enviadas ao IC

Das armas deixadas no IC, logo de início a espingarda teria sido descartada no confronto balístico, já que o projétil enviado era de revólver de calibre 38. Dos revólveres, dois deles também descartados e apenas um ficado para a análise. O que teria gerado a dificuldade e não contribuído para a conclusão precisa do laudo foi justamente a situação do projétil (único e danificado).

Suspeitos da execução

Três dias após o crime que chocou não somente a sociedade palmeirense, mas também a alagoana, três homens foram presos e colocados como suspeitos do crime. Eles seriam os donos das armas enviadas ao IC.

No entanto, os suspeitos já estariam em liberdade. O Correio de Alagoas tentou por duas vezes entrar em contato com o delegado Manoel Wanderley, à frente do caso, não conseguiu e ouviu o seu auxiliar Flávio Saraiva.

Segundo Saraiva, logo após o crime, a Polícia Civil encontrou os três homens com as armas, balaclavas e um carro parecido com o utlizado pelos assassinos e foram colocados sob suspeita. "Naquele momento, eles tinham todas as características dos assassinos. Carro assemelhado, uma espingarda, revólveres, mas, depois que começamos a investigar vimos que não tinham relação com a execução. Só que foram apontados como envolvidos em outros crimes na região de Coruripe", explica Saraiva.

Quanto à solicitação de nova microcomparação feita pelo juiz, o delegado declarou: "nós trabalhamos para auxiliar o juiz na solução dos casos. Se ele entende haver necessidade de fazer o exame, não podemos interferir".

Logo, a pergunta é: se os suspeitos foram colocados em liberdade porque a polícia chegou à conclusão de que não tiveram participação no crime e as armas enviadas ao IC são deles, como é que pode haver confronto balístico com o projétil retirado da cabeça da vítima?

O caso

O agropecuarista Reynery Canales Pimentel foi executado na noite do dia 26 de agosto passado, em seus haras, na fazenda Acapulco, em Palmeira dos Índios. A vítima foi atingida por mais de 20 tiros e os assassinos teriam invadido sua casa encapuzados. A vítima ficou conhecida pela luta para salvar o seu filho Henrique, o“Riquinho”, que tinha problemas congênitos e era considerado um dos menores do mundo com apenas 63 centímetros. A criança morreu aos 12 anos em outubro do ano passado e ele chegou a denunciar os médicos do Samu de Arapiraca por negligência, levando o caso à mídia.