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Duas vacinas contra zika conseguiram impedir a microcefalia em camundongos em um estudo realizado por pesquisadores brasileiros e americanos. É a primeira vez que os cientistas conseguem proteger fetos de fêmeas infectadas pelo vírus.

Isso quer dizer que a ciência está cada vez mais perto de evitar novos surtos como os de 2015 e 2016, quando centenas de bebês nasceram com malformações, especialmente no Nordeste.

O sucesso da descoberta do Instituto Evandro Chagas em cooperação com instituições como a Universidade do Texas foi publicado nesta quinta-feira (13) na revista Cell.

No trabalho, os pesquisadores infectaram dois grupos de camundongos fêmeas com vacinas diferentes. Uma, de produção brasileira, usa vírus atenuado. A outra, americana, DNA recombinante.

Ambas conseguiram imunizar o feto e a placenta, comemorou o diretor do Evandro Chagas, Pedro Vasconcelos: “a vacina que nós desenvolvemos é capaz de proteger contra a transmissão congênita em animais e isso, em seguida, deve ser investigado em humanos”.

No entanto, a fórmula sem o vírus atenuado precisou de dose de reforço para obter o mesmo êxito e mais tempo para fazer o corpo humano reagir e produzir os anticorpos necessários para combatem a zika.

A partir do resultado, o coordenador do estudo avalia que a vacina – quando pronta – deve ser ofertada somente para o público alvo: “mulheres em idade fértil e seus parceiros e menores de 10 anos”.

Em grávidas, no entanto, apenas a dose americana é indicada, segundo Pedro Vasconcelos.

O próximo passo da vacina é obter a licença da Anvisa para fazer os estudos em humanos.

A expectativa é que os testes clínicos tenham início até dezembro. O cientista não crava prazo, mas se tudo correr bem, a vacina estará pronta até 2021.

Mais de 40 grupos ao redor do mundo estão em busca da imunização contra zika. Algumas candidatas já estão sendo testadas em humanos, mas nenhuma recebeu o registro até agora.